…fartei-me de estar ali a observar as minhas ex-colegas a entrar e sair do edifício, de modo que resolvi voltar ao meu ponto de partida.
Atalhei caminho e meti-me por becos e ruelas e acabei por estar já fora de portas da cidade, a subir uma rua que indicava como destino Amadora/Caneças. Achei que estava a dar uma volta demasiado longa e por isso, resolvi apanhar o comboio de volta à cidade.
Procurei nos meus bolsos os trocos que tinha para pagar o bilhete e corri direita à estação, enorme, com várias linhas e plataformas. Um comboio ia sair para Matosinhos. Não era esse que eu queria.
De repente ouvi um “tssssssss” e vi cair do céu o que parecia um par de calças, um semi-tronco fumegante no chão. Um rapaz correu para esse corpo que se levantou do chão, o rosto com uma cor estranha, parecia queimada e a deitar muito fumo. Apertou a mão ao rapaz que se tinha chegado a ele e disse que afinal também tinha chegado a hora dele e caiu no chão morto.
Olhei para cima e vi uns fios que passavam por cima dos comboios onde pessoas se deslocavam agarradas com as mãos. Pareciam fios de electricidade.
Acordei de repente com este sonho a moer-me o juízo. Era tão real, tão real, que me impressionou. Voltei a adormecer. Durante todo o dia de ontem senti-me incomodada com o sonho que tinha tido mas do qual não me lembrava nada. À noite, comecei aos poucos, a lembrar-me dele. Quando me deitei, lembrava-me de tudo na perfeição e resolvi escrever para nunca mais me esquecer dele.
os meus pensamentos, sonhos, memórias e muitas coisas mais que me passam pela cabeça...
quarta-feira, janeiro 14, 2009
sexta-feira, novembro 21, 2008
Stockmarket

Pois é, lá vem ele mais uma vez para acabar com o descanso do fim-de-semana em Oeiras. Na sexta, dia 28 começa a confusão, com as "tias" todas a dar 20 euros de entrada para poderem comprar artigos de marca com "descontos até 80%". E lá vou eu estar aflita se quiser sair com o meu carro, porque depois não arranjo lugar ao pé de casa para estacionar.
Por acaso, fruto da crise, da última vez nem houve grande confusão, mas desta vai haver com certeza. Com muita gente a já ter recebido o 13º mês e a aproveitar os preços de arromba para comprar prendas de Natal, vai ser complicado para quem mora por aquelas bandas.
Enfim! haja saúde!
quarta-feira, novembro 05, 2008
Yes, we can!
sexta-feira, outubro 31, 2008
4 de Novembro de 2008

Na próxima terça-feira vai-se a votos nos EUA. Do lado de cá do Atlântico muito se torce pela vitória do Obama, como se torceu há alguns anos atrás pelo Al Gore. Mas o sistema eleitoral dos EUA é traiçoeiro e, quando pensamos que "está no papo" não está nada no papo.
Efectivamente Bush foi eleito quando a Europa toda pensava que não seria e, oito anos depois deixou a economia do seu país no estado que todos nós sabemos.
Por isso a cautela agora na esperança que Obama o seja.
"I have a dream" disse Martin Luther King. Espero que Obama também o tenha e que acima de tudo o consiga realizar.

Vamos ver.

Vamos ver.
Como se costuma dizer, a esperança é a última coisa a morrer.
quinta-feira, outubro 23, 2008
Jardins da Linha (ou em Linha?)
Há alguns anos atrás, a Câmara Municipal de Oeiras (CMO) resolveu alterar alguns jardins da zona onde resido (Medrosa). Para tal enviou equipas multidisciplinares (como agora se chamam) para levantamento e estudo de soluções.
As obras iniciaram-se em metade da Rua Dr. Manuel Fernandes Duarte. Foram retirados os arbustos que lá estavam, a relva, colocadas tubagens para rega automática e plantas novas.
Passados estes anos, não me lembro quantos, mas provavelmente 3 ou 4, tenho um pântano à frente de casa. Das plantas lá colocadas, metade morreu provavelmente por excesso de água e as ervas daninhas continuam a proliferar, apesar dos esforços de equipas que vão sendo enviadas ao local pontualmente, para as retirar.
O problema surge por causa do excesso de água. É que, seja de Verão ou de Inverno, a rega começa pelas 21h25 e termina cerca de 20 minutos depois, todos os dias. Penso que volta a regar pela meia-noite. Isto, quer chova abundantemente ou esteja tempo seco. As ervas daninhas essas, não se queixam, e há-as com fartura, excepto nos charcos, onde eu espreito todos os dias para ver se já surgiram sapos. Não me admiraria tal.
De quem a responsabilidade?
Este ano, a CMO resolveu fazer o mesmo ao outro lado da rua. Apressadamente, porque a inauguração estava prevista para um dia X e na véspera ainda andavam os funcionários a tratar de tudo, à boa maneira portuguesa. A obra inaugurou-se com pompa e circunstância, com a presença do Exmo. Senhor Presidente & Cia. Mas a rega automática, essa, não funcionou durante meses. Até funcionar, regularmente, funcionários da CMO (?) foram regando a zona e aproveitando para lavar os carros. Fomos nós quem pagámos a factura da água como bons munícipes e contribuintes que somos.
Eu não adivinho o futuro, mas o futuro do jardim do outro lado da rua deve dar num pântano também. Pode se que venham as salamandras e as rãs. Novos habitats, e depois quem negará à CMO o seu envolvimento em defesa do ambiente?
As obras iniciaram-se em metade da Rua Dr. Manuel Fernandes Duarte. Foram retirados os arbustos que lá estavam, a relva, colocadas tubagens para rega automática e plantas novas.
Passados estes anos, não me lembro quantos, mas provavelmente 3 ou 4, tenho um pântano à frente de casa. Das plantas lá colocadas, metade morreu provavelmente por excesso de água e as ervas daninhas continuam a proliferar, apesar dos esforços de equipas que vão sendo enviadas ao local pontualmente, para as retirar.
O problema surge por causa do excesso de água. É que, seja de Verão ou de Inverno, a rega começa pelas 21h25 e termina cerca de 20 minutos depois, todos os dias. Penso que volta a regar pela meia-noite. Isto, quer chova abundantemente ou esteja tempo seco. As ervas daninhas essas, não se queixam, e há-as com fartura, excepto nos charcos, onde eu espreito todos os dias para ver se já surgiram sapos. Não me admiraria tal.
De quem a responsabilidade?
Este ano, a CMO resolveu fazer o mesmo ao outro lado da rua. Apressadamente, porque a inauguração estava prevista para um dia X e na véspera ainda andavam os funcionários a tratar de tudo, à boa maneira portuguesa. A obra inaugurou-se com pompa e circunstância, com a presença do Exmo. Senhor Presidente & Cia. Mas a rega automática, essa, não funcionou durante meses. Até funcionar, regularmente, funcionários da CMO (?) foram regando a zona e aproveitando para lavar os carros. Fomos nós quem pagámos a factura da água como bons munícipes e contribuintes que somos.
Eu não adivinho o futuro, mas o futuro do jardim do outro lado da rua deve dar num pântano também. Pode se que venham as salamandras e as rãs. Novos habitats, e depois quem negará à CMO o seu envolvimento em defesa do ambiente?
Palavras para quê?


Ao ler o blog da Gi (http://sofaltaumtrintaeumnaminhavida.blogspot.com/), deparei com este caso insólito que anexo. Acho incrível que pessoas à frente de instituições como é, neste caso a Optimus, enviem cartas tão insensatas, tão insensíveis. Palavras para quê?
quarta-feira, outubro 22, 2008
No news good news
Peço muita desculpa aos meus "ouvintes" mas sinceramente, escrever em 3 blogues já começa a custar. Criei o da família (http://www.familysomsen.blogspot.com/) e ultimamente tenho descurado a escrita neste blog em benefício do outro. Mas não estou esquecida deste meu querido. Por isso, vou ver se começo a escrever umas crónicas ou coisitas do género e as publico depois aqui. We never know.Agora está em perspectiva a próxima viagem a Londres, já no início de Dezembro, com a Sofia e amiga Fernanda. Vai ser de arromba! Eu depois conto. Para já, já temos os bilhetes para irmos ver o "Fantasma da Ópera".
Beta
sábado, agosto 02, 2008
Sofia
Faz amanhã 19 anos que os meus pais celebraram 32 anos de casados. Foi uma época linda das nossas vidas, eu estava grávida de 9 meses e a minha irmã Ana grávida de 5 e a minha mãe resolveu fazer um grande churrasco nessa noite, para celebrar e também para aproveitar o facto de estarmos todos juntos em Portugal para o casamento do nosso irmão Paulo com a Sandra, no dia 4.
Nessa quente noite de 3 de Agosto, lembro-me de estar, rodeada de irmãs e cunhadas, com uma barriga enorme, sentada no chão do "hall" da casa dos meus pais, com uma chávena de café posta em cima da barriga, para eles todos poderem ver como a minha pequenina se mexia tanto dentro de mim. Fartámo-nos de rir à conta do café que saltava dentro da chávena.
De barriga bem cheia, salvo seja, dormi muito bem a noite, mas eram umas 5 da manhã a Sofia já não me deixou dormir mais. Queria por força ir ao casamento do tio, mas eu é que acabei por não ir.
...................................
Acabaste por vir ao mundo eram quase 8 horas da manhã. Simpática, porque me deixaste tomar o meu pequeno almoço. nasceste depressa, porque vinhas toda sebosa, de modo que escorregaste para o mundo, a bem dizer.
Fazes agora 19 anos. Como fiz com o teu irmão quando ele fez 21, há dois meses, não quero deixar de escrever-te algumas palavras.
Como não tenho mais nenhuma filha, posso dizer que és a minha favorita, a minha pequenina, a minha bochechuda.
Tens uma personalidade forte, como boa leoa que se preze.
Espero que um dia, se tiveres uma filha como tu és, sintas por ela o mesmo amor e o mesmo orgulho que eu sinto por ti. Adoro-te, Sofia, és a minha menina, a minha fofura, o meu mel, uma alegria que trago dentro do peito e que não consigo dizer de outra forma.
Espero que sejas sempre assim, igual a ti própria, com os teus defeitos e qualidades, mas sempre a minha querida filha.
Parabéns, Sophia!!!!
Nessa quente noite de 3 de Agosto, lembro-me de estar, rodeada de irmãs e cunhadas, com uma barriga enorme, sentada no chão do "hall" da casa dos meus pais, com uma chávena de café posta em cima da barriga, para eles todos poderem ver como a minha pequenina se mexia tanto dentro de mim. Fartámo-nos de rir à conta do café que saltava dentro da chávena.
De barriga bem cheia, salvo seja, dormi muito bem a noite, mas eram umas 5 da manhã a Sofia já não me deixou dormir mais. Queria por força ir ao casamento do tio, mas eu é que acabei por não ir.
...................................
Acabaste por vir ao mundo eram quase 8 horas da manhã. Simpática, porque me deixaste tomar o meu pequeno almoço. nasceste depressa, porque vinhas toda sebosa, de modo que escorregaste para o mundo, a bem dizer.
Fazes agora 19 anos. Como fiz com o teu irmão quando ele fez 21, há dois meses, não quero deixar de escrever-te algumas palavras.
Como não tenho mais nenhuma filha, posso dizer que és a minha favorita, a minha pequenina, a minha bochechuda.
Tens uma personalidade forte, como boa leoa que se preze.
Espero que um dia, se tiveres uma filha como tu és, sintas por ela o mesmo amor e o mesmo orgulho que eu sinto por ti. Adoro-te, Sofia, és a minha menina, a minha fofura, o meu mel, uma alegria que trago dentro do peito e que não consigo dizer de outra forma.
Espero que sejas sempre assim, igual a ti própria, com os teus defeitos e qualidades, mas sempre a minha querida filha.
Parabéns, Sophia!!!!
quarta-feira, junho 11, 2008
João

Foi há quase 21 anos. Faz esta semana 21 anos que vivi um dos melhores sonhos da minha vida. Aquilo porque eu tanto ansiava estava finalmente a acontecer. Fui mãe. Voltei a sê-lo dois anos mais tarde, mas este filho, o meu Joãozinho, por quem eu tanto ansiei, por quem eu tanto sonhei, por quem eu tanto chorei estava ali nos meus braços!
Nove meses antes, quando tive a minha primeira falta, não acreditei, as dores de barriga eram as que todos os meses me chateavam e, mais uma vez, voltava a não engravidar. Também já não tinha esperança nenhuma, até já me tinha inscrito nos "fiv's" (fertilização in-vitro) na 1ª página dum bloquinho pautado A-5 da Maternidade Alfredo da Costa, onde eu tinha passado muitas horas e dias até, dos meus últimos 7 anos.
Mas os dias passaram e o período não veio, e as dores de barriga continuaram. Só pararam quando fiz a análise e deu positiva. Fiquei doida, doida mesmo, sem saber o que fazer, com uma vontade enorme de gritar com toda a força dos meus pulmões de dizer a toda a gente que encontrava na rua que estava GRÁVIDA.
Mas não pude, não podia dizer a ninguém, ou a quase ninguém, porque podia haver algo errado - a probabilidade de fazer uma gravidez ectópica (nas trompas) era muito grande dado eu ter sido submetida a uma operação de desobstrução das trompas dois anos antes.
Guardei o segredo, caladinha, mas com uma vontade de explodir de alegria (e preocupação). Só o pai do João e a minha colega da frente souberam porque era impossível esconder.
Esperei uma semana, ou melhor, cinco dias para fazer a ecografia que me diria se o João estava ou não bem implantadinho no meu útero. E estava....
Nessa noite espalhei a notícia aos sete ventos, toda a nossa família soube da novidade. Vivi a minha gravidez como se fosse a única mulher do mundo a ter esse privilégio.
Sexta-feira fazes 21 anos, João. Foste uma das melhores coisas que me aconteceu na vida...
sexta-feira, maio 16, 2008
um passo à frente, um passo atrás, isto não há meio de se endireitar
Entre sonhos feitos e desfeitos, entre aqueles que sonho de dia e os que sonho de noite, os meses vão passando, e já lá vão quase 3 meses desde que aqui escrevi.
Para a semana faço 50 anos e tinha mesmo de escrever agora sobre a minha vida que, nestes últimos anos tem sido um saltitar constante entre empregos, actividades, entre o prazer e o desprazer de fazer ou não, aquilo que mais gosto.
O texto flui e não vou fazer grandes correcções, tirando as ortográficas, claro.
A escrita hoje vai ser mais um despejar deste saco que se encontra muito cheio, quase a deitar por fora.
O meu irmão encontra sempre tema para escrever e fá-lo todas as sexta-feiras com uma facilidade que me surpreende. Mas, é claro, que nem todos temos aquele dom maravilhoso que ele tem de captar o interesse na leitura das suas crónicas.
Eu gosto muito de escrever, mas nunca desenvolvi muito a escrita. Quando me apetece, faço-o, com muito prazer. Mas só às vezes.
Um dia destes, vinha no comboio a pensar que tinha de escrever e que ia escrever sobre qualquer coisa, mas o facto é que entretanto me esqueci sobre o que queria escrever. Mais um texto que ficou arrumado na prateleira da minha memória. Qualquer dia, quando a for arrumar, sou capaz de o encontrar e depois colocá-lo-ei aqui, de certeza.
Hoje só me apetece escrever, sem tema definido, mas talvez para me sentir um pouco mais aliviada.
Dizer que tenho sonhado com pessoas que já cá nao estão acho fútil. Essas pessoas estão sempre vivas na mnha memória e deve ser quando limpo as ditas prateleiras dela que as encontro e sonho com elas.
E como resolver para acabar o texto que estou a escrver? Acho que ainda é mais dificíl do que começá-lo.
Acho que acabo com um ponto final.
Para a semana faço 50 anos e tinha mesmo de escrever agora sobre a minha vida que, nestes últimos anos tem sido um saltitar constante entre empregos, actividades, entre o prazer e o desprazer de fazer ou não, aquilo que mais gosto.
O texto flui e não vou fazer grandes correcções, tirando as ortográficas, claro.
A escrita hoje vai ser mais um despejar deste saco que se encontra muito cheio, quase a deitar por fora.
O meu irmão encontra sempre tema para escrever e fá-lo todas as sexta-feiras com uma facilidade que me surpreende. Mas, é claro, que nem todos temos aquele dom maravilhoso que ele tem de captar o interesse na leitura das suas crónicas.
Eu gosto muito de escrever, mas nunca desenvolvi muito a escrita. Quando me apetece, faço-o, com muito prazer. Mas só às vezes.
Um dia destes, vinha no comboio a pensar que tinha de escrever e que ia escrever sobre qualquer coisa, mas o facto é que entretanto me esqueci sobre o que queria escrever. Mais um texto que ficou arrumado na prateleira da minha memória. Qualquer dia, quando a for arrumar, sou capaz de o encontrar e depois colocá-lo-ei aqui, de certeza.
Hoje só me apetece escrever, sem tema definido, mas talvez para me sentir um pouco mais aliviada.
Dizer que tenho sonhado com pessoas que já cá nao estão acho fútil. Essas pessoas estão sempre vivas na mnha memória e deve ser quando limpo as ditas prateleiras dela que as encontro e sonho com elas.
E como resolver para acabar o texto que estou a escrver? Acho que ainda é mais dificíl do que começá-lo.
Acho que acabo com um ponto final.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Já não se pode rir!
Pois é mesmo verdade, já não podemos rir. Ou seja, temos de ter muito cuidado quando e onde rimos.
Na passada semana, a minha sogra, que se aproxima dos 80 anos, foi a uma consulta de rotina de cardiologia, no Hospital S. Francisco Xavier.
Depois de fazer os exames de rotina, a médica, disse-lhe que, lamentava muito, mas ela teria de ficar internada, porque o ritmo cardíaco estava muito acelerado e tinha de se ver o que estava a causar aquilo.
Muito aborrecida, a minha sogra deu entrada na urgência, onde lhe foram feitos novos exames ao coração e onde já estava com um ritmo quase normalizado.
Então, quase como se duma confidência se tratasse, a minha sogra disse à senhora que lhe estava a fazer o exame:
"Sabe? Eu tenho dois filhos que são uns gozões e um deles veio comigo à consulta. Estávamos os dois lá fora e eis que o meu filho me diz: olha aquele, parece mesmo o Charlot! Eu olhei e comecei a rir, a rir, a rir, sem conseguir parar. O homem tinha as pernas tortas, um chapéu na cabeça e uma bengala e, apesar de mais alto, parecia mesmo o Charlot! Eu acho que foi por causa disso que o meu coração disparou..."
A senhora começou também a rir e a minha sogra teve alta e voltou para casa. Mas estava cheia de medo que o homem aparecesse outra vez e se vingasse dela o ter gozado tanto, obrigando-a a ficar internada só por rir!
Na passada semana, a minha sogra, que se aproxima dos 80 anos, foi a uma consulta de rotina de cardiologia, no Hospital S. Francisco Xavier.
Depois de fazer os exames de rotina, a médica, disse-lhe que, lamentava muito, mas ela teria de ficar internada, porque o ritmo cardíaco estava muito acelerado e tinha de se ver o que estava a causar aquilo.
Muito aborrecida, a minha sogra deu entrada na urgência, onde lhe foram feitos novos exames ao coração e onde já estava com um ritmo quase normalizado.
Então, quase como se duma confidência se tratasse, a minha sogra disse à senhora que lhe estava a fazer o exame:
"Sabe? Eu tenho dois filhos que são uns gozões e um deles veio comigo à consulta. Estávamos os dois lá fora e eis que o meu filho me diz: olha aquele, parece mesmo o Charlot! Eu olhei e comecei a rir, a rir, a rir, sem conseguir parar. O homem tinha as pernas tortas, um chapéu na cabeça e uma bengala e, apesar de mais alto, parecia mesmo o Charlot! Eu acho que foi por causa disso que o meu coração disparou..."
A senhora começou também a rir e a minha sogra teve alta e voltou para casa. Mas estava cheia de medo que o homem aparecesse outra vez e se vingasse dela o ter gozado tanto, obrigando-a a ficar internada só por rir!
domingo, fevereiro 24, 2008
Manuela
Desde os meus tempos de criança, que me habituei a ouvir falar nela. Principalmente por ter sido colega da minha mãe na Universidade, com a "Xacúntala" e mais outra que não recordo o nome. Era visita assídua na minha casa e eu recordo que as cartas dela eram sempre recebidas com muita alegria pela minha parte. Conhecia a letra dela à distância e estava sempre em pulgas para saber dela. Para mim, a Manuela era uma aventureira, que tinha crescido num sítio muito longe, em Angola e que tinha sempre histórias muito giras para contar. Lembro-me também do livro que ela escreveu e que ofereceu à minha mãe, e de eu o ter devorado e ter "passeado" com ela pelas areias do deserto...
A vida dá muitas voltas, a Manuela casou-se já muito tarde (para mim, claro) e durante muito tempo pouco ouvi falar dela. Lembro-me das cartas chegarem, dela ter ido à União Soviética, da relação com a minha mãe ter esfriado, mas não sei bem porquê.
Entretanto eu também cresci, empreguei-me, casei, tive filhos e a Manuela talvez tenho caído no esquecimento.
Foi portanto com alguma surpresa que soube que, depois da morte da minha mãe, o meu pai e ela reataram o contacto. Ela estava divorciada, sem filhos e o meu pai estava sozinho, cheio de filhos, mas todos fora de casa e com as suas vidas organizadas.
Daí até casarem foi um pulinho. Acho que a Manuela foi uma coisa óptima que nos aconteceu, por ter dado nova vida ao meu pai, que bem precisava.
Mas para mim a Manuela não é a minha madrasta. Ela continua a ser aquela menina que cresceu no deserto, no muito sul de Angola, onde os negros eram talvez uma "raça entre os animais e os brancos" como ainda hoje ela nos confidenciou, onde havia negros com "feições correctas" e outros nem tanto, onde as laranjas não eram cor-de-laranja, mas amarelas (que surpresa quando chegou a Lisboa e viu laranjas cor-de-laranja!!!).
Passaram-se muitos anos desde que ela saiu da Baía dos Tigres, mas ainda hoje uma lágrimazinha assomou nos seus olhos, quando ela falou da sua infância. Continua a ser uma boa contadora de histórias e eu continuo a gostar de a ouvir contá-las.
Obrigada, Manuela.
A vida dá muitas voltas, a Manuela casou-se já muito tarde (para mim, claro) e durante muito tempo pouco ouvi falar dela. Lembro-me das cartas chegarem, dela ter ido à União Soviética, da relação com a minha mãe ter esfriado, mas não sei bem porquê.
Entretanto eu também cresci, empreguei-me, casei, tive filhos e a Manuela talvez tenho caído no esquecimento.
Foi portanto com alguma surpresa que soube que, depois da morte da minha mãe, o meu pai e ela reataram o contacto. Ela estava divorciada, sem filhos e o meu pai estava sozinho, cheio de filhos, mas todos fora de casa e com as suas vidas organizadas.
Daí até casarem foi um pulinho. Acho que a Manuela foi uma coisa óptima que nos aconteceu, por ter dado nova vida ao meu pai, que bem precisava.
Mas para mim a Manuela não é a minha madrasta. Ela continua a ser aquela menina que cresceu no deserto, no muito sul de Angola, onde os negros eram talvez uma "raça entre os animais e os brancos" como ainda hoje ela nos confidenciou, onde havia negros com "feições correctas" e outros nem tanto, onde as laranjas não eram cor-de-laranja, mas amarelas (que surpresa quando chegou a Lisboa e viu laranjas cor-de-laranja!!!).
Passaram-se muitos anos desde que ela saiu da Baía dos Tigres, mas ainda hoje uma lágrimazinha assomou nos seus olhos, quando ela falou da sua infância. Continua a ser uma boa contadora de histórias e eu continuo a gostar de a ouvir contá-las.
Obrigada, Manuela.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Natal
segunda-feira, dezembro 03, 2007
sexta-feira, novembro 16, 2007
Amália

Como prometido, aqui vai.
Eras para ter sido Amélia, um nome mais de menina, como a Amélie que a tua mãe nos faz lembrar, mas acabaste sendo Amália, nome bem português, nome muito forte, nome de Mulher, não de Menina.
Bem vinda sejas, Amália do meu coração, espero que a vida seja para ti tão boa como é possível ser!
Nao sei escrever como o teu pai, mas também não é preciso para te deixar palavras que são de amor e carinho.
Já fazes hoje duas semanas, mas só hoje tive oportunidade de te dedicar umas palavritas.
E vou-me deixar de lamechices, que isso é das velhas, apesar de eu ser a tua tia mais cota de todas!
Um grande beijão e faz favor de ser feliz!
Jantar de família

Pois, no passado dia 27 houve mais um jantar de família, desta vez a pedido das primas que se deslocaram de férias ao nosso país. Claro que tudo é motivo para nos reunirmos, por isso toca de ir tudo à casa onde tudo acontece, ou seja, à "Casa do Pai" como habitualmente chamamos.
Foi uma rica jantarada, pena a falta da Ana e respectiva família, mas é mesmo muito difícil juntar todos à mesma mesa (ou mesas).
Por isso a fotografia ficou incompleta e, mesmo assim, desactualizada, já que novo membro se lhes juntou uma semanita mais tarde. Mas quanto a isso, outro post surgirá!
Por agora fica aqui a foto principal da reunião! Que teve muito vinho (e bom), muita carne (a picanha estava uma delícia) e muito boa disposição!
sexta-feira, outubro 19, 2007
um filho
ela sentou-se nos degraus da escada, colocou as mãos na cabeça, entrelaçou os dedos nos cabelos e pensou...
tinha-o amado como a um filho, apaparicado como ninguém. tinha-o acolhido em seus braços quando ele estava triste, quando ele precisava de apoio. tinha.
naquele dia tinham-lho tirado dos braços, levado para longe. as lágrimas correram pelos sulcos que eram os rios das suas rugas, a tristeza tinha-se espelhado na alma e os seus olhos olhavam o longe como se ele não tivesse fim.
levaram-lhe um filho. um filho nunca se leva a ninguém, mesmo que não seja verdadeiramente nosso.
ficou uma ferida aberta no peito. uma ferida que custa a cicatrizar. uma ferida que tarda em fechar, porque quando se perde um filho elas nuncam fecham, há sempre uma pequenina nesga que não fecha, que não quer mesmo fechar, que se recusa a aceitar e que por isso mesmo se recusa a fechar.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Licenciatura
Não podia deixar passar esta fase da minha vida sem a mencionar aqui.
Pena que a minha mãe não esteja cá para poder festejar comigo a minha licenciatura.
Sei que era uma coisa que ela gostava que eu fizesse e, como tal, estou aqui a escrever sobre isso.
A ela lha dedico.
Brevemente voltarei a "postar"
Pena que a minha mãe não esteja cá para poder festejar comigo a minha licenciatura.
Sei que era uma coisa que ela gostava que eu fizesse e, como tal, estou aqui a escrever sobre isso.
A ela lha dedico.
Brevemente voltarei a "postar"
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